INCLUIR É A PALAVRA DE ORDEM
Meado de maio de 2007. Outra vez, nosso país teve a honra de receber a visita de Sua Santidade – o Papa, desta vez, Bento XVI.
Embora o Estado de S.Paulo tivesse sido, mais diretamente, o palco das atenções, com o mundo globalizado, o Brasil, a América Latina, o Caribe, em suma, o mundo católico, todos acompanharam regozijados, viveram momentos de esperança e fé.
Nativos e habitantes outros do Brasil vibraram com a presença do Sumo Pontífice. Aos oitenta anos, o chefe da Igreja Católica deu-nos o prazer de estar conosco por alguns dias. Foi um privilégio. O Santo Padre investiu suas energias na mais longa viagem de sua vida, até agora, com finalidades várias. Uma delas, presumo, arrebanhar as ovelhas que, desgarradas, já estão enveredando por outros caminhos.
Também convencer o rebanho que ainda somos o maior contingente católico do universo, tendo no Brasil, a maior representação da Igreja de Jesus Cristo. E assim, desejamos continuar sendo.
Aí vem a pergunta: como continuar sendo a maior representação, se adeptos de outras religiões vêm apresentando maneiras mais convincentes de pastorear, com resultados que não deixam dúvida?
Não podemos mais viver de antiga opulência. Precisamos ir buscar...
Estamos vivendo a fase da INCLUSÃO. E o que fizeram os senhores com os DEFICIENTES AUDITIVOS? Transformaram-nos em “garrafa de querosene”, fora da arrumação. Esqueceram que eles são cidadãos como os outros e já não são párias da sociedade. São alfabetizados, têm uma língua – LIBRAS – considerada a segunda língua oficial do país, trabalham, constituem família, pagam até impostos... Incluí-los nas festividades do Santo Padre, faziam-nos cientes do que estava acontecendo, era fácil: legendas, interpretes da língua de sinais, pelo menos, deixá-los-iam a par dos acontecimentos e lhes dariam um pouco mais de saberes sobre nosso Deus e por que amar a Deus.
As outras religiões não perdem tempo. Vão buscar e doutrinar, seja lá onde for. Nós jogamos a oportunidade fora. E queremos continuar crescendo! Como pode?
Não é necessário conhecer em profundidade a Psicologia do deficiente auditivo, para entender que sua percepção está além de nossa expectativa. Vejam por exemplo, em “Adorável Professor” e percebam como eles são capazes de sentir a vida e ver o que se passa em seu redor, como nós não imaginamos.
Estou me desincumbindo do compromisso que assumi com os deficientes auditivos, meus amigos da Bahia, que se disseram injustiçados e excluídos. Tenho certeza que interpreto o pensar de muitos outros. E se assim for, fico feliz.
Tomara que este reclamo chegue aos olhos e aos ouvidos dos organizadores de eventos deste quilate e, da próxima vez, com ou sem a presença de Sua Santidade, lembrem-se que: INCUIR É A PALAVRA DE ORDEM. Os deficientes auditivos não podem ver apenas a vida passar... Eles precisam se integrar para não se entregar...