Dia Internacional da Mulher
"Gosto que me rosco de ouvir dizer
Que a parte mais fraca é a da mulher
Mas o homem, com toda a fortaleza,
Desce da nobreza e faz o que ela quer".
Andei tão preocupada comigo mesma que, até quase me esqueci o Dia 8 de março, Dia Internacional da MULHER. Mas a memória funcionou em tempo hábil.
Não estou convencida se já deve constar do calendário esta comemoração, ou se seu efeito é muito mais mercadológico.
Não resta dúvida, a espera faz parte dos nossos anseios e, sem sofrimento, a glória não se alcança. Não fosse o holocausto das 140 trabalhadoras, carbonizadas naquele incêndio da Triangle Shirtwaist, as mulheres tivessem demorado mais de acordar a fim de buscar, de fato e de direito, o que lhes pertence: liberdade de ser e viver...
O episódio de 1857, apesar de triste, valeu a pena! As conquistas que já alcançamos não têm vindo com a rapidez desejada, mas "antes tarde do que nunca". Já encontramos a mulher marcando presença na Literatura, nas Artes, nas mais diversas profissões e alguns cargos importantes, na chefia da família, timidamente na política, mesmo num percentual pequeno, tudo isto é claro, à custa de muito sacrifício.
Nos países de primeiro mundo os avanços são bem mais visíveis a olho nu. As mulheres são bem mais independentes e livres do que se pode imaginar...
Mas ainda é cruciante a situação em que vivem as mulheres, onde algumas religiões, o preconceito, o machismo, são forças predominantes. O BRASIL tem procurado vencer o ranço, todavia, continua atrelado ao atraso cultural daqueles que se dizem "avançados" (só nos cálculos dos ordenados e jetons).
Os movimentos feministas de vez em quando conseguem marcar alguns pontinhos - gotas d'água no oceano de quem ainda precisa tanto...
Precisamos lutar contra a ignorância da esmagadora maioria do "sexo frágil," sem instrução, sem emprego, sem consciência do seu poder de fogo; lutar contra a violência que impera neste país, a despeito da existência de DELEGACIAS DE MULHERES e tantos outros instrumentos de "proteção," criados em nome da Lei, às vezes, só de "araque", pura fachada!... Por outro lado, as próprias vítimas destas violências calam-se, quem sabe por medo de pagar preço muito alto pelas suas reivindicações e queixas. Mas nós chegaremos lá!
Mulheres do mundo inteiro!
O que nós queremos não é lutar por uma superioridade que não faz sentido!
Queremos companheirismo, igualdade de condições, liberdade de ser e viver e, principalmente, que sejamos respeitadas e reconhecidas como força propulsora que, junto com o homem, participa da reformulação de valores, da reconstrução deste mundo cada vez mais problemático e tão carente da sensibilidade e do equilíbrio da MULHER.
Macária S. Andrade